Martes 29, 1964
"Hoy descubrí que vivir es dificilísimo. (...) es indudable que es preciso el sufrimiento para conocer y saber (...) la tarea consiste en darse vuelta, transformarse, reformarse, corrigirse (...)
domingo, 27 de maio de 2018
domingo, 28 de janeiro de 2018
Escrevo com Nora para Nora
Para Nora Lelyen:
Necessito novas palavras e quero desaprender as minhas palavras, ou seja, desconstruir as que já usei. Gostaria de desaprender meu jeito de olhar e observar as gentes, a cidade. Gostaria de desaprender minha maneira de escutar as pessoas, a música e os ruídos da cidade. Deixei de escutá-los pois se tornaram muito altos e logo se confundiram com medos e perdas. Queria ficar louco, queria observar as pessoas, escutar a música como um estrangeiro, com o pasmo inicial de um recém nascido, queria demolir todo tipo de preconceito que carrego. Queria manipular novas palavras para decifrar minhas emoções e as de meus irmãos, possuir novas palavras para elaborar novas narrativas.
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Walter Benjamin on the concept of history
The tradition of the oppressed teaches us that the “emergency situation” in which we live is the rule. We must arrive at a concept of history which corresponds to this. Then it will become clear that the task before us is the introduction of a real state of emergency; and our position in the struggle against Fascism will thereby improve
domingo, 19 de novembro de 2017
dizer sempre menos
experimentando minha paciência em dizer sempre menos do que deveria e aprender a escutar, aprender a absorver as novidades boas ou más
segunda-feira, 19 de dezembro de 2016
Louco de chuva:
Criar
fantasias e elaborar desejos beirando abismos. Entre eu e o Outro a linguagem.
Entre eu e o Outro uma ponte intransponível. Entre eu e o Outro a Lei. Entre eu
e o Outro, egos. Entre eu e o Outro o texto.Que seria de mim sem minha loucura?
Que seria de mim sem o fantasma da Morte, a indesejada das gentes? Desejar o
vazio, criar e cultivar os vazios. O que fazer com o vazio que me habita?
Beirando abismos, não vislumbrar o vivido mas a sua interpretação. Ler e
escrever todos os dias até o final, até o fim. Sobretudo ler romances e
Alejandra Pizarnik. Sobretudo ler rostos e rastros. Ler siluetas e paisagens.
Sobretudo mirando abismos.
Surto de chuva:
(Imagem by Katereina Eremeeva)
Apaziguar
meus monstros no esquecimento. Colapsos, faltas, misérias, impotências e fracassos.
Nostalgia num mundo de distopias - El alma sufre sin tregua, sin piedad, y los malos médicos no restañan
la herida que supura . Fujo de mim mesmo e contemplo sentimentos
ausentes, pessoas ausentes, amores ausentes e Alejandra Pizarnik ausente.
Desejo o vazio. Apaixonado pela namorada do vento e por suas canções. Noites e trabalhos.
Absorvendo linhas e imagens. Noites de vigília. Contemplando as cores da
impossibilidade do dizer. Insônia voluntária de ventos e de cinzas. Madrugadas
de leituras. Alucinado pela solidão. Inventando melancolias. Enquanto todos
dormem profundamente.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2016
"The pain of life overrides the joy to the point that joy does not exist." (Kevin Carter)
"É solitário morrer na África"
Creio que a vida não é feita apenas de textos e de ficções. Creio agora que a vida não é feita apenas de nossas ilusões e sonhos. Creio que Nietzsche e Barthes, ou quiçá, apenas seus leitores estejam equivocados. Talvez a vida seja feita de histórias apenas. Histórias em carne viva ou em chamas, histórias em carne quase morta ou decompondo-se, moribunda. Histórias que irão cair no esquecimento. Especialmente a história dos vencidos. A menininha sudanesa esquálida ainda rasteja vigiada pelo abutre, cena que o sul africano-inglês Kevin Carter fotografou, menina que nunca teve nome para nós que estamos do lado de fora dos conflitos sudaneses e africanos. O drama daquela pequena criança dos anos 90 é esquecido todos os dias quando acordamos pra ir azeitar a ordem e o progresso. 80 pessoas entre adultos e crianças carbonizadas na Nigéria em janeiro. A maior chacina do ano sem nomes pra nós que não conhecemos na pele os conflitos nigerianos. Números e gente e crianças que serão esquecidas em 2017. Sim, acredito que a vida seja feito de histórias, catástrofes e esquecimentos todos os dias.
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